“Se pudesse redesenhar as regras do jogo corporativo, o que mudaria amanhã?” Foi este o desafio lançado a Marta Almeida, para assinalar o Dia Internacional da Mulher.
Se pudesse redesenhar as regras do jogo corporativo, centraria essa mudança em três pilares fundamentais: o tempo, o mérito e a responsabilidade.
Começando pelo tempo: persistimos em premiar a presença em detrimento do impacto. Horas de reuniões não são sinónimo de resultados. O que deve ditar o sucesso é a criação efetiva de valor — para a organização, para as equipas e para o cliente. Defendo menos ruído e mais foco, menos agendas cheias e mais clareza estratégica.
Segundo, o mérito: o sistema ainda está muito marcado pelo peso da política interna, por hierarquias rígidas e pelo conformismo do “sempre foi assim”. Precisamos de transparência: objetivos nítidos, métricas justas e um reconhecimento proporcional à entrega. Quem constrói e impulsiona o negócio deve ser valorizado de forma inequívoca.
Terceiro, a responsabilidade: liderança não é um estatuto, é um compromisso. É preciso desafiar aquilo a que chamo de ‘liderança confortável’. Quem decide deve ser avaliado pelo balanço financeiro, mas também pela capacidade de potenciar talento, desenvolver pessoas, criar sucessores e deixar um legado superior ao que encontrou.
Por fim, não posso deixar de mencionar que é necessária uma mudança cultural urgente, ou seja, acredito que a sociedade tem de começar a normalizar a ambição feminina. A ambição não é arrogância, é visão, construção e futuro. O mercado de amanhã pertence às empresas que alinham performance com humanidade — isso já não é uma tendência, é uma exigência.